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O Senhor dos Anéis foi publicado por J.R.R. Tolkien em três volumes entre 1954 e 1955, embora o autor o tenha concebido como uma única obra. Tolkien era professor de filologia Anglo-saxónica em Oxford e desenvolveu a mitologia da Terra-média ao longo de décadas, incluindo línguas completas, sistemas de escrita e histórias de fundo que só seriam publicadas postumamente no Silmarillion. A história central segue Frodo Bolseiro, um hobbit, e a sua missão de destruir o Um Anel, objeto de poder criado pelo Senhor Sauron, que se tornou o único instrumento capaz de o derrotar definitivamente. Tolkien escreveu o livro durante a Segunda Guerra Mundial, e esta coincidência temporal informa a tonalidade do texto sem que o romance seja alegoria direta.
O Senhor dos Anéis é frequentemente classificado como fantasia épica, o que é correto mas insuficiente: é também uma meditação sobre a perda, sobre o modo como o mundo que conhecemos está inevitavelmente a desaparecer e sobre a dignidade possível dentro desta consciência. A Terra-média de Tolkien é um mundo em declínio: os Elfos partem, a Terceira Idade termina, e a vitória sobre Sauron não restaura a plenitude perdida mas apenas adia o fim inevitável. O anel de poder, que corrompe quem o usa precisamente porque amplifica a vontade do portador, é um instrumento que só pode ser destruído por alguém suficientemente fraco para não o querer usar: a grandeza de Frodo não é a força mas a resistência à vontade de poder. Esta inversão dos valores heroicos convencionais é o núcleo filosófico do romance.
O Senhor dos Anéis gerou uma indústria de imitadores e de adaptações que tornaram a leitura do texto original uma experiência de descontaminação: o Tolkien real é mais melancólico, mais lento e mais filologicamente denso do que as adaptações cinematográficas comunicaram. Ler o livro completo, incluindo os Apêndices com as línguas e as genealogias, é perceber que Tolkien não estava a criar entretenimento épico mas a construir um substituto para a mitologia nacional que a Inglaterra, ao contrário da Finlândia do Kalevala ou da Islândia das sagas, não tinha. Esta ambição, simultaneamente modesta na escala narrativa e enorme na intenção cultural, é o que distingue Tolkien dos seus imitadores.
Tolstói reescreveu Guerra e Paz sete vezes.