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LerGratis · Russo
A Morte de Ivan Ilitch
Lev Tolstói
1886 · 100 págs.

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A Morte de Ivan Ilitch

de Lev Tolstói
Ano1886
Páginas100
Língua orig.Russo
GéneroNovela
Leitura~3h
LicençaDomínio público
Tempo de leitura estimado
A velocidade média · 100 páginas
3h
aprox.

Sobre o livro

A Morte de Ivan Ilitch foi escrita por Lev Tolstói entre 1882 e 1886 e publicada em 1886. Ivan Ilitch Golovin é um magistrado de carreira que viveu uma vida de aparências convencionais, ascensão profissional, mobília adequada ao estatuto e casamento compatível com o decoro social. Ao instalar uma cortina na sua nova casa, cai e sofre um ferimento que se desenvolve em doença mortal. Nos últimos meses de vida, confrontado com a morte enquanto a família e os colegas fingem que não é grave, Ivan Ilitch descobre que a vida que viveu não foi boa porque não foi autêntica. A novela é breve, menos de cem páginas, e esta brevidade é parte da sua precisão: Tolstói não deu a Ivan Ilitch mais espaço do que o que a sua vida ocupou.

Temáticas e significado

A Morte de Ivan Ilitch é uma das análises mais rigorosas da hipocrisia social como modo de vida. Ivan Ilitch não é apresentado como um hipócrita calculado: é alguém que internalizou tão completamente as convenções do seu meio que deixou de distinguir entre o que genuinamente quer e o que o seu estatuto exige. A doença, ao retirar-lhe progressivamente a capacidade de fingir normalidade, funciona como mecanismo de revelação: Ivan Ilitch descobre que os que o rodeiam, a mulher, os filhos, os colegas, respondem à sua morte iminente com um incómodo que é essencialmente burocrático, a questão de quem herda o lugar, a questão de quando se pode voltar ao whist. O único ser que trata Ivan Ilitch com compaixão genuína é o seu criado Guerássim, que cuida dele sem falsa piedade e sem o fingimento de que vai recuperar. Esta inversão hierárquica, o simples como moralmente mais evoluído do que o refinado, é uma constante tolstoiana.

Por que ler hoje?

A Morte de Ivan Ilitch é o texto de Tolstói mais frequentemente prescrito em contextos médicos e filosóficos como introdução à questão de como morrer bem, o que é um sinal da sua eficácia como instrumento de reflexão e não apenas como obra de arte. A pergunta que coloca, se a vida que vivemos é a que quereríamos ter vivido, não tem resposta dentro do texto: Ivan Ilitch percebe tarde de mais que não. Esta estrutura, a revelação que chega quando já não há tempo de agir, é o que torna a novela perturbante independentemente de qualquer contexto histórico ou cultural específico.

📚 Sabia que…?

Eça trabalhou como cônsul em vários países europeus durante décadas enquanto escrevia os seus romances.