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O Cortiço
Aluísio Azevedo
1890 · 270 págs.

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O Cortiço

de Aluísio Azevedo
Ano1890
Páginas270
Língua orig.Português
Leitura~8h
LicençaDomínio público
Tempo de leitura estimado
A velocidade média · 270 páginas
8h
aprox.

Sobre o livro

O Cortiço foi publicado por Aluísio Azevedo em 1890 e é o romance do naturalismo brasileiro que mais sistematicamente aplicou os princípios do determinismo social e ambiental à análise da vida urbana carioca. O livro descreve um cortiço do Rio de Janeiro, habitação coletiva de trabalhadores pobres, e as vidas dos seus moradores ao longo de um período de anos, com foco particular em João Romão, proprietário imigrante português que enriquece pela exploração dos trabalhadores, e em Bertoleza, mulher negra que é ao mesmo tempo sua companheira e propriedade. Azevedo tinha lido Zola diretamente e Germinal é uma influência visível, mas o material social e racial do cortiço carioca não tem equivalente na ficção naturalista europeia.

Temáticas e significado

O Cortiço é o romance brasileiro que mais explicitamente analisou a escravidão e os seus efeitos como sistema social, não como cenário moral mas como estrutura económica. Bertoleza, que Azevedo descreve com uma atenção às contradições da sua posição que vai além do esquema naturalista habitual, é ao mesmo tempo a fundação do enriquecimento de João Romão e o obstáculo à sua ascensão social quando ele decide casar com uma mulher da burguesia. A sua expulsão e morte no final do romance não é sentimentalizada: é descrita como consequência lógica de um sistema em que a pessoa negra é instrumento e nunca fim. O cortiço como organismo coletivo, que o narrador descreve com uma linguagem quase biológica, é a forma urbana que a escravidão produz depois da sua abolição formal: a mesma exploração com outra denominação.

Por que ler hoje?

O Cortiço foi escrito há mais de um século e descreve condições de habitação e trabalho que a modernização urbana do século XX transformou na superfície sem necessariamente alterar nos fundamentos: a precariedade habitacional, a exploração de imigrantes em posição de vulnerabilidade e a intersecção de classe e raça na determinação de quem sobrevive e quem não sobrevive continuam a ser questões centrais das grandes cidades brasileiras. O romance tem ainda a qualidade, que partilha com Zola, de tornar visível a dimensão coletiva da miséria, o modo como a pobreza não é uma série de infortúnios individuais mas um produto de relações estruturais que o naturalismo descreveu antes de dispor do vocabulário analítico que a sociologia desenvolveria mais tarde.

📚 Sabia que…?

Tchekhov era médico além de escritor; usava a observação clínica na construção das suas personagens.