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LerGratis · Italiano
A Divina Comédia
Dante Alighieri
1321 · 700 págs.

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A Divina Comédia

de Dante Alighieri
Ano1321
Páginas700
Língua orig.Italiano
Leitura~18h
LicençaDomínio público
Tempo de leitura estimado
A velocidade média · 700 páginas
18h
aprox.

Sobre o livro

A Divina Comédia é o texto que fundou a língua literária italiana e que, depois de setecentos anos, não deixou de ser relido, discutido e traduzido em todas as partes do mundo. Dante Alighieri compô-la nos anos do exílio de Florença, entre 1304 e 1321 aproximadamente, trabalhando nela quase até à morte. A obra divide-se em três cânticas, Inferno, Purgatório, Paraíso, para um total de cem cantos em tercetos de hendecassílabos, uma estrutura numérica que espelha a conceção medieval da harmonia cósmica. Dante descreve aí uma viagem imaginária pelos três reinos do além, conduzido primeiro por Virgílio e depois por Beatriz, no decurso de uma semana da primavera de 1300. A escolha de escrever em vulgar toscano e não em latim foi uma decisão filosófica precisa: Dante queria que a obra fosse acessível a quem não tinha recebido formação clerical.

Temáticas e significado

O princípio estrutural do poema é o contrapasso: cada pena infernal é formalmente análoga à culpa cometida, de modo que o castigo revela a essência do pecado em vez de se limitar a sancioná-lo. Os luxuriosos são arrastados por uma tempestade perpétua porque em vida se deixaram arrastar pela paixão; os iracundos batem-se na lama de um pântano porque a cólera os consumia por dentro. Esta coerência lógica coexiste com um elemento que torna o poema irredutível a qualquer catecismo: a compaixão do narrador. Dante desmaia de compaixão diante de Paolo e Francesca, personagens condenados por uma culpa que o poema julga sem apelo mas que o poeta sente como humana e próxima. Esta tensão entre o julgamento teológico e a reação emocional do viajante é o que transforma a Comédia em literatura em vez de doutrina versificada.

Por que ler hoje?

A Comédia não é apenas um documento do pensamento medieval: é um atlas das paixões humanas construído com uma precisão psicológica que não precisa de tradução cultural para ser reconhecida. Ulisses, que no vigésimo sexto canto do Inferno conta a sua última viagem para além das colunas de Hércules, pronuncia um discurso sobre o impulso ao conhecimento que não pertence ao Medievo mais do que a nós. Ugolino, que morde o crânio do seu inimigo no gelo do Cocito, é um retrato do ódio como prisão que funciona independentemente do contexto político florentino que o gerou. Quem enfrenta o texto numa boa edição comentada, mesmo sem conhecimentos filológicos prévios, descobre que a densidade do poema se dissolve progressivamente: os cantos da Comédia aprendem-se a ler lendo-a.

📚 Sabia que…?

Machado de Assis fundou a Academia Brasileira de Letras em 1897 e foi o seu primeiro presidente.