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LerGratis · Francês
Cândido, ou o Otimismo
Voltaire
1759 · 130 págs.

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Cândido, ou o Otimismo

de Voltaire
Ano1759
Páginas130
Língua orig.Francês
Leitura~4h
LicençaDomínio público
Tempo de leitura estimado
A velocidade média · 130 páginas
4h
aprox.

Sobre o livro

Cândido, ou o Otimismo foi publicado em 1759, anonimamente, e Voltaire nunca admitiu formalmente a sua autoria em vida. O conto filosófico narra as aventuras de Cândido, jovem criado no castelo do barão Thunder-ten-Tronckh na Vestfália, educado pelo filósofo Pangloss na doutrina de que vivemos no melhor dos mundos possíveis e de que tudo o que acontece acontece pela melhor razão. Expulso do castelo depois de um beijo à filha do barão, Cândido percorre o mundo durante toda a narrativa: é recrutado à força pelo exército prussiano, assiste à destruição de Lisboa pelo terramoto de 1755, vai à América do Sul, descobre Eldorado, regressa à Europa, e termina numa pequena propriedade nos arredores de Constantinopla onde cultiva um jardim com os companheiros de aventura que sobreviveram.

Voltaire escreveu Cândido em resposta ao otimismo metafísico de Leibniz, que tinha argumentado que Deus criou o melhor dos mundos possíveis. O terramoto de Lisboa de 1755, que matou entre trinta e sessenta mil pessoas em poucos minutos, tornou este argumento impossível de sustentar para qualquer pessoa com sentido moral, e Cândido é a resposta literária e filosófica de Voltaire. Mas o alvo não é apenas Leibniz: é toda a tradição filosófica que produz sistemas consoladores em vez de análises da realidade.

Temáticas e significado

O mecanismo narrativo de Cândido é a acumulação de desgraças que Pangloss continua a explicar como necessárias para o melhor dos mundos possíveis. Este procedimento não é apenas cómico: é uma demonstração por absurdo de que qualquer sistema que declare o mundo perfeito tal como é torna-se cúmplice do sofrimento que esse mundo contém. A cada catástrofe, Pangloss encontra uma justificação, e a inadequação crescente das justificações é o argumento do conto.

A conclusão, il faut cultiver notre jardin, é a das mais citadas e das mais mal compreendidas de toda a filosofia francesa. Não é uma recomendação de retirada do mundo nem de desinteresse pelas questões públicas: é uma proposta de escala. O jardim é o que está ao alcance, o que pode ser cultivado com trabalho concreto, em oposição à especulação metafísica sobre mundos possíveis. Voltaire não diz que o mundo não pode ser melhorado: diz que só pode ser melhorado por quem trabalha nele diretamente, e não por quem o explica.

Por que ler hoje?

Cândido é o texto mais eficaz que a literatura ocidental produziu para criticar o otimismo como posição filosófica, e a sua eficácia não depende do contexto do século XVIII. Qualquer sistema de pensamento que declare que as coisas são como devem ser, que o sofrimento presente serve um propósito maior, que o estado atual das coisas é o melhor dos cenários possíveis, é o alvo de Cândido. A brevidade do texto, menos de cem páginas, e a velocidade da narrativa, que passa de uma catástrofe a outra sem pausa para lamentação, tornam a sua leitura uma experiência que não exige preparação filosófica prévia para produzir os seus efeitos.

📚 Sabia que…?

Eça trabalhou como cônsul em vários países europeus durante décadas enquanto escrevia os seus romances.