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LerGratis · Espanhol
Dom Quixote
Miguel de Cervantes
1605 · 1000 págs.

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Dom Quixote

de Miguel de Cervantes
Ano1605
Páginas1000
Língua orig.Espanhol
GéneroRomance
Leitura~30h
LicençaDomínio público
Tempo de leitura estimado
A velocidade média · 1000 páginas
30h
aprox.

Sobre o livro

Dom Quixote foi publicado em duas partes, em 1605 e 1615, e é o romance que mais influenciou a história da ficção ocidental. Cervantes escreveu o livro durante e depois de um período de prisão em Sevilha, com dificuldades económicas que o acompanhariam até ao fim da vida. Alonso Quijano, fidalgo de meia-idade da Mancha, leu tantos livros de cavalaria que decide tornar-se cavaleiro andante com o nome de Dom Quixote, acompanhado pelo lavrador Sancho Pança como escudeiro. A estrutura do romance é a de uma série de episódios em que Dom Quixote interpreta a realidade através do filtro dos romances que leu, transformando moinhos de vento em gigantes e estalagens em castelos. Na segunda parte, os personagens já leram a primeira e discutem se ela corresponde ao que recordam: uma consciência metaficcional que antecipa em quatro séculos os debates que a teoria literária formalizaria.

Temáticas e significado

Cervantes não escreveu uma paródia simples do romance de cavalaria: construiu dois modos de interpretar a realidade que se interrogam mutuamente ao longo de mil páginas. Dom Quixote transforma moinhos em gigantes porque o seu sistema de valores exige que os gigantes existam. Sancho, que na segunda parte governa a Ilha de Baratária com uma sabedoria prática que desmente a imagem do escudeiro ignorante, produz julgamentos mais equitativos do que aqueles que o puseram à prova. A loucura de Dom Quixote não é apresentada como erro puro: é a postura de quem prefere um mundo em que o heroísmo é possível ao mundo que realmente existe, e o romance não resolve a questão de qual das duas posições é mais digna. A clareza final do protagonista, quando no leito de morte renega a própria loucura, não é celebrada pelo texto como triunfo da razão: é descrita como perda, o que é uma das conclusões mais honestas que a ficção europeia produziu sobre o preço da lucidez.

Por que ler hoje?

A pergunta que Dom Quixote coloca, sobre se vale a pena defender ideais que o mundo não partilha, nunca foi respondida de forma definitiva, e Cervantes teve a sabedoria de não fingir que tinha a resposta. O romance é também o texto que inaugurou a análise sistemática da relação entre a ficção e o comportamento: Dom Quixote age como leu, o que levanta a questão sobre a responsabilidade da literatura pelas ilusões que cria. Esta questão, reformulada em diferentes contextos culturais e tecnológicos, continua a ser uma das mais produtivas que a reflexão sobre os meios de comunicação pode colocar.

📚 Sabia que…?

Machado de Assis fundou a Academia Brasileira de Letras em 1897 e foi o seu primeiro presidente.