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LerGratis · Inglês
Jane Eyre
Charlotte Brontë
1847 · 500 págs.

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Jane Eyre

de Charlotte Brontë
Ano1847
Páginas500
Língua orig.Inglês
GéneroRomance
Leitura~14h
LicençaDomínio público
Tempo de leitura estimado
A velocidade média · 500 páginas
14h
aprox.

Sobre o livro

Jane Eyre foi publicado em 1847 por Charlotte Brontë sob o pseudónimo Currer Bell, e causou impacto imediato: os leitores não tinham ainda encontrado um romance em inglês com um narrador feminino de primeira pessoa que falasse das suas experiências interiores com aquela franqueza e aquela intensidade. Jane Eyre, órfã crescida na família hostil da tia Reed e depois na austera escola de Lowood, narra o seu emprego como institutriz em Thornfield Hall, onde serve a pupila francesa de Edward Rochester. O amor que se desenvolve entre Jane e Rochester, a descoberta do segredo que Rochester esconde no terceiro andar do solar, a fuga de Jane e os anos de errância, e o regresso final são os momentos de uma história que Charlotte Brontë concebeu como autobiografia ficcional.

O romance tem uma estrutura que mistura o realismo social, o romance gótico e o romance de desenvolvimento de uma forma que não tinha precedente imediato na ficção inglesa. Os elementos góticos, a mulher no sótão, os sons noturnos, o fogo, não são ornamento: são a forma que Charlotte Brontë encontrou para dar presença narrativa a forças psicológicas e sociais que o discurso realista não conseguia articular diretamente.

Temáticas e significado

A afirmação central de Jane Eyre é a de que a independência moral não depende da posição social. Jane é pobre, sem família, sem beleza excecional e sem recursos: tudo o que tem é a sua consciência e a sua recusa de a trair por interesse ou por amor. Quando Rochester lhe propõe que fique com ele depois de descoberta a existência da mulher louca, Jane recusa não por falta de amor mas porque sabe que aceitar seria destruir a integridade que é a única coisa que tem. Esta recusa é o momento mais radical do romance, e Charlotte Brontë sabia que o era: a sua Jane diz não ao amor correspondido e ao conforto material porque prefere a pobreza com dignidade à riqueza com cumplicidade.

Bertha Mason, a mulher encarcerada no sótão, foi relida pelas críticas feministas do século XX como a personagem em que o romance revela o que não pode dizer diretamente: a raiva, a sexualidade, a resistência ao confinamento que a convenção social impõe às mulheres. Jean Rhys escreveu Wide Sargasso Sea como contracanónico de Jane Eyre, dando voz a Bertha antes de o seu casamento com Rochester. Ler os dois textos juntos é uma das experiências mais produtivas que a tradição literária anglófona oferece.

Por que ler hoje?

Jane Eyre é um dos romances que mais gerações de leitores identificaram como texto que descreveu a sua experiência antes de terem vocabulário para o fazer. A questão de como manter a integridade num mundo que a não recompensa, de como definir o valor próprio sem a confirmação externa que o mundo raramente oferece, é uma questão que não tem data de validade. A qualidade literária do romance, a precisão dos diálogos, a construção do espaço de Thornfield como extensão do estado mental de Jane, sustenta a leitura independentemente da identificação com a protagonista.

📚 Sabia que…?

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