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LerGratis · Português
Macunaíma
Mário de Andrade
1928 · 230 págs.

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Macunaíma

de Mário de Andrade
Ano1928
Páginas230
Língua orig.Português
Leitura~7h
LicençaDomínio público
Tempo de leitura estimado
A velocidade média · 230 páginas
7h
aprox.

Sobre o livro

Macunaíma foi publicado por Mário de Andrade em 1928 e é o livro fundador do modernismo brasileiro na ficção. O subtítulo é O Herói Sem Nenhum Caráter, e o protagonista é um ser sem origem racial definida, que nasce negro na floresta amazónica e se torna branco quando convém, que percorre o Brasil de norte a sul sem obedecer a nenhuma lógica de causa e efeito, que tem poderes mágicos e limitações humanas ao mesmo tempo. Mário de Andrade escreveu o livro em seis dias numa fazenda do interior de São Paulo, a partir de material folclórico amazónico compilado pelo etnógrafo alemão Theodor Koch-Grünberg, e o resultado é uma obra que mistura mito indígena, lenda africana, vocabulário regional de vários estados e sátira urbana numa língua que Mário inventou para o efeito.

Temáticas e significado

Macunaíma é o ensaio sobre a identidade brasileira mais influente escrito em forma de ficção. A tese implícita do livro, que o Brasil é uma síntese de culturas que não se fundiram numa identidade estável mas que coexistem em tensão produtiva, encontra na figura de Macunaíma a sua encarnação mais honesta: um herói que é ao mesmo tempo generoso e cruel, corajoso e covarde, africano e indígena e europeu, sem que nenhuma destas contradições se resolva. A preguiça de Macunaíma, o seu dístico "Ai que preguiça", é a recusa do projeto de modernização produtivista que o Brasil dos anos vinte queria encarnar, e esta recusa é apresentada não como vício mas como resistência. A viagem a São Paulo, onde Macunaíma enfrenta o gigante Venceslau Pietro Pietra numa luta que é também a luta entre o Brasil arcaico e o capitalismo industrial, é a sequência mais diretamente alegórica do livro.

Por que ler hoje?

Macunaíma é um dos livros mais difíceis de traduzir da literatura brasileira, o que é já uma indicação do que contém: uma língua inventada especificamente para o Brasil, que incorpora a sua diversidade regional e cultural como material de estilo. Ler o livro em português é uma experiência de imersão numa língua que não é o português padrão de nenhuma região mas uma síntese que só existe neste texto. A questão da identidade mestiça, da relação entre herança indígena, africana e europeia, e do que fazer com essa herança sem a purificar numa das suas partes, que Mário de Andrade formulou em 1928 em termos de festa e ironia, continua a ser a questão central da cultura brasileira.

📚 Sabia que…?

Eça trabalhou como cônsul em vários países europeus durante décadas enquanto escrevia os seus romances.