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O Lobo da Estepe
Hermann Hesse
1927 · 280 págs.

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O Lobo da Estepe

de Hermann Hesse
Ano1927
Páginas280
Língua orig.Alemão
GéneroRomance
Leitura~8h
LicençaDomínio público
Tempo de leitura estimado
A velocidade média · 280 páginas
8h
aprox.

Sobre o livro

O Lobo da Estepe foi publicado por Hermann Hesse em 1927 e é o romance mais autobiográfico de um autor que nunca deixou de usar a ficção como instrumento de análise da sua própria crise psicológica. Harry Haller, intelectual de meia-idade que se vê a si mesmo como um ser duplo, parte humana e parte lobo selvagem irreconciliável com a civilização burguesa, encontra no ambiente do jazz e dos cabarés de Zurique dos anos vinte um espaço de libertação que o confronta com as limitações do seu próprio sistema de autocompreensão. O Tratado do Lobo da Estepe, panfleto anónimo inserido no romance que analisa Harry como tipo psicológico, é um dos procedimentos mais incomuns da ficção europeia do período modernista: o texto analisa a sua própria personagem em termos quasi-clínicos antes de a narração continuar.

Temáticas e significado

O Lobo da Estepe é um romance sobre a rigidez como forma de sofrimento. Harry Haller sofre não porque seja mau ou infeliz no sentido convencional, mas porque construiu uma identidade baseada na oposição entre o espiritual e o sensual, entre o intelectual e o popular, entre o lobo e o homem, e essa oposição não tem resolução dentro do sistema que ele criou. Hermine, Pablo e a música de jazz que Harry aprende lentamente a ouvir são os instrumentos através dos quais o romance propõe uma alternativa: não a síntese das contradições mas a aceitação da multiplicidade, a capacidade de ser simultaneamente lobo e homem sem que nenhum dos dois anule o outro. O Teatro Mágico do final, com a sua dissolução das identidades fixas, é o ponto de chegada desta proposta, que Hesse apresenta como experiência e não como argumento.

Por que ler hoje?

O Lobo da Estepe foi o livro de cabeceira de uma geração de leitores nos anos sessenta e setenta, que reconheceram na crise de Harry Haller a sua própria crise de identidade entre o conformismo e a rebeldia. Esta identificação geracional envelheceu parcialmente, mas o mecanismo que o romance descreve, o da identidade rígida como fonte de sofrimento evitável, é um mecanismo que a psicologia contemporânea continuou a analisar sob diferentes nomes. O Lobo da Estepe interessa hoje não como manual de libertação mas como diagnóstico preciso de como o intelectual europeu do início do século XX encarava a sua própria incapacidade de viver o que pensava.

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