✓ 100% legal e gratuito: Domínio público. Fonte: Project Gutenberg. Sem registo.
Esta obra pertence ao domínio público — os direitos de autor expiraram. Fonte: Project Gutenberg. Descarregar é 100% legal e sem registo.
O Mestre e Margarida foi escrito por Mikhail Bulgákov ao longo de mais de uma década, entre 1928 e 1940, e publicado postumamente em versão incompleta em 1966-1967, trinta anos após o fim da redação. Bulgákov sabia que o livro não seria publicado em vida sob o regime soviético e escreveu-o para a gaveta, destruindo versões anteriores em momentos de desespero e recomeçando. O romance tem duas tramas entrelaçadas: a visita de Woland, o Diabo, a Moscovo nos anos trinta, onde expõe a hipocrisia e a mesquinhez da burocracia soviética através de espetáculos de magia e de truques que arruínam funcionários e escritores; e a história de Pôncio Pilatos e de Yeshua Ha-Nozri em Jerusalém, que é o romance que o Mestre está a escrever e que o sistema literário soviético recusou publicar.
O Diabo de Bulgákov é uma das figuras mais complexas da literatura do século XX: Woland não é o agente do Mal no sentido teológico convencional, é o representante de uma ordem moral que existe antes das ideologias humanas e que as torna visíveis por contraste. O que Woland faz em Moscovo é essencialmente revelar: as pessoas que a sua companhia destrói destroem-se porque as suas fraquezas eram já a substância da sua vida, e o Diabo apenas cria as condições para que a substância se manifeste. A história de Pilatos, que condena Yeshua sabendo da sua inocência por covardia política, é o núcleo filosófico do livro: Bulgákov sugere que a covardia, não a crueldade ativa, é o pecado mais grave, e o castigo de Pilatos, doze mil luas de remorso, corresponde a esta hierarquia.
O Mestre e Margarida é o romance soviético que mais completamente escapou ao sistema que o produziu: escrito como resposta ao totalitarismo estalinista, sobreviveu-o e tornou-se um dos textos mais amados da cultura russa contemporânea. A sua análise da burocracia literária e cultural como sistema de mediocridade organizada não é específica do socialismo soviético: é uma descrição de como qualquer sistema de validação cultural estabelecido produz os seus guardiões e os seus excluídos. Quem lê o livro hoje, com a consciência do contexto em que foi escrito, encontra nele uma obra que demonstra que a literatura pode sobreviver à sua própria impossibilidade, que o ato de escrever para a gaveta tem uma dignidade que a publicação no momento certo nem sempre tem.
Voltaire foi preso na Bastilha duas vezes e exilado em Inglaterra durante três anos.